[Tumulto visceral de ninguém]
Pensas porque estás parado no recorte espaço-acção no tempo em que te encontras.
Queres uma definição, mas continuas invisual perante os espelhos da alma. Hoje sabes-te mais visceral. Em falência, por desequilíbrio electrolítico. Esse desequilíbrio que é só teu, essa falência que ninguém a pode compensar. Vísceras hediondas as tuas que conduzem à repulsa. Também tu enojas-te a ti. Indigno de paliação.
Aguardas o diluir dos sinais vitais porque já nada é vital. Tudo te foi tirado, ainda que indirectamente, inicialmente por ti. Permitiste. Como um criminoso, aguardas a sentença, a tua sentença, sendo que és inofensivo para a sociedade, porque no fundo sempre mantiveste com descrição o teu status de insignificante, a tua sentença é daquelas que apenas o tempo apaga. O teu relógio está parado, esqueces-te de lhe dar corda, de virar a ampulheta, de trocar a pilha, de acertar a hora com um fuso horário que é contemporâneo e, passou tanto tempo desde então que nem tu sabes quanto tempo já viveste assim e já te esqueceste. Alienação: é esse o teu estado. Alienado estás de uma sincronização que é mandatária.
Tudo isto contrapõe-se com o que foste e o ser metastático que agora és. A nobricidade omitida do ser traduz-se na infantilidade do sentir. Desfaleces e acordas no abandono irrepreensível. Porque é isso, o se ser invertido.
Retiras do teu vocabulário as palavras hedonismo e eudemonismo. São facilmente perecíveis.
A reter: de omnibus dubitandum.
Mas aonde é que tu andas?